Transmissão de Pensamento

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Às 18h00 o relógio marca na tela do computador o fim do expediente. Elisa corre com sua bolsa, quase tropeçando no pé da mesa, se despede dos colegas, enquanto já pensa nos 40 minutos de trânsito para chegar em casa.

Depois de muitos semáforos acesos em eternidades de 2 minutos, Elisa dirige pela rua de casa, desligando o motor 50 metros antes de seu portão, para chegar em silêncio em frente à sua casa, inclina o corpo pra trás e descansa a cabeça por 5 minutos no banco. Assusta-se ao lembrar que Fred, seu cãozinho, deve estar com fome. Abre a porta do carro apressada, mas em silêncio, querendo fazer surpresa para o seu companheiro de lar.

“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz” – Antoine Saint Exupéry

Mesmo há cerca de dez minutos em silêncio parada em frente à casa, ao colocar o primeiro pé para fora do carro, Elisa ouve as patinhas de Fred arranhando a porta da sala, ansioso para reencontrar a dona. Assim que abre a porta, o peludo pula com euforia no colo de Elisa, distribuindo lambidas e fazendo festa na casa. Elisa sorri, abraça o peludo, brinca com a criaturinha incansável, mas não deixa de pensar: Como ele sabia que ela havia chego, mesmo sem ter feito os ruídos habituais de sua chegada?

Elisa pensa instantaneamente que seu peludo tem poderes telepáticos e até imagina um Super Fred, sempre atento e adivinhando o que ela está fazendo.

Será?

Super Dog lê mentes, conhece muitos segredos, mas não conta pra ninguém

Cães Superpoderosos

Elisa não sabe, mas há quem defenda que os peludos têm poderes telepáticos.

O pesquisador britânico Rupert Sheldrake, da Universidade de Cambridge, estudou durante cinco anos alguns cães e percebeu que os cães têm muita facilidade em pressentir a aproximação do dono, ou mesmo demonstrar comportamentos fora do comum, quando os donos podem estar passando alguma situação difícil.

Rupert defende que os cães nascem dotados com um campo amórfico, ou seja, uma espécie de ligação direta com os donos. Esta sensação pode ser melhor desenvolvida conforme o afeto do cão com o dono.

Há quem defenda esta tese, bem como há quem defenda os instintos apurados dos peludos, que fazem com que eles estejam sempre atentos a qualquer mudança no ambiente.

Telepaticamente unidos? Há quem diga que sim

Algumas sintonias não se explicam

No fundo, sabemos que quanto mais afetividade temos com algo ou alguém, poderemos entender melhor todo o universo criado em torno desta aproximação. Alguns chamam isto de sexto sentido, outros de intuição apurada e há ainda quem mergulhe mais ainda no assunto e vagueie procurando soluções em vidas passadas.

Mas nada disso importa. Enquanto defensores e opositores travam batalhas em torno deste assunto, Elisa arruma a guia do seu cãozinho, enrola algumas sacolinhas higiênicas no bolso e chama-o pra passear.

Eles sabem que têm muitas historias pra viverem juntos e poderão rir à vontade de seus segredos, sabendo que enlouqueceriam todas as pessoas que quisessem explicar esta sintonia perfeita.

Os melhores amigos compartilham os maiores segredos – Mesmo que seja não gostar de tomar banho.

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